Gramática

Gramática.jpg

Gramática

(OTLET, 2008, p. 126)

Paul Otlet divide a gramática moderna em três grandes campos: fonologia, morfologia e ideologia. Dentro desses campos, três classes atuam: i) silaboscopia, que estuda a formação das sílabas, ii) premiascopia, que estuda as palavras e iii) praterscopia, que estuda as frases simples ou compostas.

A gramática se define como a arte de ensinar a falar e a escrever corretamente. Ela surgiu muito tempo depois da poesia e da retórica. Os primeiros vestígios encontrados no Ocidente estão dispersos em Platão e Aristóteles; ela começou a formar uma ciência à parte somente quando os filósofos de Alexandria e Pérgamo passaram a analisar a língua grega. A gramática mais antiga é atribuída a Dionísio Trácio, discípulo de Aristarco. Foi somente no final do século XVIII que apareceu a primeira gramática filosófica, graças a Arnauld, e muitas vezes designada pelo nome de Méthode de Port Royal. No século XIX, S. de Sacy publicou sua Grammaire générale. Atualmente, temos gramáticas de todas as línguas, inclusive de povos primitivos cujas falas foram estudadas pelos linguistas.

 

Alguns gramáticos (James Harris) reduziram a duas classes principais as dez categorias de palavras às quais a análise reduz todo o discurso: 1° palavras significativas em si mesmas ou principais: uma vez que há só substâncias e atributos (advérbio, adjetivo, particípio-advérbio), as palavras não podem ser apenas substantivos (nomes próprios, nomes) ou atributos (advérbio, adjetivo, particípio adverbial); 2° as palavras significativas por relação ou adesão. Servem para melhor designar ou determinar os seres (definidos), ou para unir entre si seres ou fatos (conectivos: artigos, pronomes demonstrativos, possessivos, indefinidos, a conjunção e a preposição que certas línguas substituem por meio da declinação).

 

As noções de duração, de tempo e de espaço em sua acepção metafísica dão forma à linguagem. O pensamento analisado libera os modos de proposições que são perceptivos (indicativo dos verbos) ou volitivos (outros tempos verbais).

 

 

OTLET, Paul. Tratado de Documentação: o livro sobre o livro: teoria e prática. Brasília: Briquet de Lemos, 2018. p. 126-127.