A documentação e suas partes

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La Documentation et ses parties

OTLET (2018, p. 56)


Paul Otlet apresenta a Documentação em três partes: i) as agências documentárias (operações e funções), divididas em dez classes, ii) os elementos relativos às agências, em suas singularidades, e iii) o conjunto dos elementos institucionalizados.


A classe 0 diz respeito aos estudos em geral da Documentação. Nesta classe encontra-se a relação da Documentação com as partes da organização do trabalho intelectual. Os elementos singulares são as seguintes personagens: o universo, o artista, o agente e o pensador. O mundo em sua totalidade representa o conjunto desses elementos.


A classe 1 trata da produção de publicações e da multiplicação das obras. Os elementos singulares são o autor, o redator, a imprensa e o livro – em sua extensão de significado na obra otletiana. A instituição que marca a coletividade desses elementos individuais é a indústria editorial.
 

A classe 2 aborda as coleções formadas pela expansão moderna das publicações. Os livros são os personagens centrais e a Biblioteca é a instituição que abriga as coleções bibliográficas.
 

A classe 3 trata dos catálogos e da representação descritiva das obras. O elemento central das descrições bibliográficas são as fichas de referência. O conjunto desses elementos estão representados pelas bibliografias e pelo projeto otletiano de controle bibliográfico, o Repertório Bibliográfico Universal (RBU).
 

A classe 4 dedica-se à representação temática, em específico, a indexação e a produção de resumos. A ficha de resumo é o elemento singular desta agência temática. As práticas analíticas de conteúdo, de avaliação e crítica textual compõem as operações desta classe. Assim como na classe 3, o conjunto desses elementos estão representados pelas bibliografias e pelo projeto otletiano de controle bibliográfico, o Repertório Bibliográfico Universal (RBU).
 

A classe 5 aborda uma enciclopédia documentária marcada pela redistribuição das unidades materiais. Os elementos singulares são uma miríade de documentos convencionais e não convencionais. O conjunto desses documentos encontram-se (re)distribuídos entre os dispositivos bibliográficos institucionais.
 

A classe 6 trata da codificação e da síntese classificatória das agências documentárias. Aborda a combinação sintática e a fusão semântica das unidades intelectuais dispersas entre as diferentes áreas do conhecimento. Os elementos singulares são os documentos sintéticos que subsidiam a instituição classificatória dos esquemas e dos códigos de classificação documentária.
 

A classe 7 enfatiza a documentação administrativa. Os elementos singulares são os documentos arquivísticos produzidos pelas esferas jurídico-administrativas do Estado. A instituição que agrega a escrita do Estado e seus fundos arquivísticos é o arquivo.
 

A classe 8 assinala para a museografia documentária. Os elementos singulares desta classe são os documentos e as coleções museológicas, produzidos pela representação cultural do estado de coisas da natureza. O conjunto desses elementos estão sistematizados e institucionalizados no museu. 
 

A classe 00 aborda os múltiplos usos dos estudos documentários. Aborda as dimensões sociais dos serviços de referência, desde a esfera textual da leitura ao plano das consultas ao acervo. Os elementos singulares são os usuários, os leitores dos materiais bibliográficos. O conjunto dos elementos está representado pela ciência e a conexão entre os diferentes saberes científicos.

OTLET, Paul. Tratado de Documentação: o livro sobre o livro: teoria e prática. Brasília: Briquet de Lemos, 2018. p. 56.